Educar para Incluir...

Como incluir, totalmente, alguém que não conhece o que vai usar? Em outras palavras, como possibilitar a inclusão digital sem cursos de capacitação? Sim, é impossível. Mas, então, o que fazer?

"Os dados que assimilavam, nos Estados Unidos, por exemplo, que os negros, os latinos e as mulheres utilizavam menos a Internet estão mudando radicalmente. (...) O mesmo acontece entre os negros e latinos nos Estados Unidos. Entre os universitários negros e latinos verifica-se a mesma taxa de penetração da Internet que entre os não-negros e não-latinos. Obviamente, há menos negros e latinos na universidade, mas esta é uma questão de educação, mais do que de discriminação sistemática em termos étnicos. Portanto, a conectividade como elemento de divisão social está diminuindo rapidamente. O que se observa, contudo, naquelas pessoas, sobretudo estudantes, crianças, que estão conectadas é que aparece um segundo elemento de divisão social mais importante que a conectividade técnica: a capacidade educativa e cultural de ultilizar a Internet. Uma vez que toda a infotmação está na rede - ou seja, o conhecimento codificado, mas não aquele de que se necessita -, trata-se antes de saber onde está a informação, como buscá-la, como transformá-la em conhecimento específico para fazer aquilo que se quer fazer. Essa capacidade de aprender a aprender; essa capacidade de saber o que fazer com o que se aprende; essa capacidade social desigual e está ligada à origem social, à origem familiar, ao nível cultural, ao nível de educação. É aí que está, empiricamente, falando, a divisória digital nesta momento." (Manuel Castells, "Internet e sociedade em rede", conferência inaugural do Programa de Doutorado em Sociedade de Informação e Conhecimento da Universitat Oberta de Catalunya, Barcelona, outubro de 2000).

Apesar de Manuel Castells citar somente a Internet em seu texto, observamos que não é somente esta que é a divisória digital atual. Os personal computers (PCs) também são, para muitos, uma grande dificuldade. Muitos não compreendem nem o básico. Mesmo sendo o básico, algo que vemos como "muito fácil".Então, incluir digitalmente é somente possibilitar o acesso de indivíduos à computadores e Internet? Não, não mesmo.
Programas de Inclusão Digital são falhos, quando não tem conhecimento de como utilizar um computador, ou outras ferramentas digitais... Segundo o próprio Manuel Castells em seu texto, a Inclusão Digital chegará, porém, uma nova barreira será formada. A barreira de saber utilizar bem as ferramentas digitais. E, o que tem sido feito para evitar isto?
Alguns programas de inclusão digital já tem incluso o ensino de informática, etc., o que faz estes serem eficientes. Afinal, é importante ensinar o indivíduo como portar-se, como utilizar determinados equipamentos digitais. Caso contrário, teremos pessoas que utilizarão determinadas ferramentas de forma não tão completa como poderiam caso conhecessem a funcionalidade destas.
O outro lado é que, muitas vezes, por falta de acesso ou por medo de estragar o aparelho digital, as pessoas temem ser "autodidatas". É o que foi citado pelo colaborador da Magnífica Mundi quando perguntado o porque as pessoas consideram o vídeo como algo "de outro mundo"... As pessoas temem mexer, quando tem acesso. Então, outro ponto que deve ser colocado nos programas de Inclusão Digital: tirar o medo das pessoas de conhecer, de "fuçar" (perdoem-me pela expressão...) em seus aparelhos.
A Inclusão Digital é, ainda, algo difícil de acontecer até mesmo porque os programas de Inclusão não possibilitam, não tem incluso em seus objetivos desmistificar e ensinar as pessoas a utilizarem tais ferramentas. E, enquanto não mudarmos isto, a Inclusão Digital será um sonho utópico... um sonho distante...

Frederico R. Oliveira, graduando do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás.

A SEMANA FOI ASSIM...

Inclusão Digital na Escola, por Denise...
...Do ponto de vista dos excluídos, por Igor Pereira...
Inclusão Digital Rural, por Danielly...
'Inclusão Digital na Magnífica Mundi', por Thiago Martins:
  • gravação: Igor Pereira;
  • edição: Thiago Martins;
  • perguntas: Frederico, Thiago e Marielle Sant'anna;
  • agradecimentos: Ícaro e Pedro Ivo, colaboradores da Magnífica Mundi...
Educar para Incluir (esta postagem), por Frederico R. Oliveira.


2 comentários:

Thiago Martins disse...

Fred... Eu sou teu fãa cara... sério
:)

Michel do Carmo disse...

Realmente...tem de se capacitar para, então, se incluir..
Vou além como capacitar digitalmente alunos que não conseguem nem interpretar um texto? Ou, mesmo, alunos que não têm, por diversas vezes, nem uma merenda na escola???

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